YOGA, YAMAS e NIYAMAS

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Saudações Ióguicas!

O artigo de hoje apresenta de forma objetiva e sucinta o código de ética e moral, ou Yamas e Niyamas, da escola filosófica Yoga. Vamos entender o código dessa prática milenar indiana e saber como aplicá-lo em nosso cotidiano.


SMRIT

Na literatura hindu, o Yoga situa-se dentro dos Smritis, os textos que foram passados através da memória dos sábios.


Dárshana

Quando o sábio Patanjali sistematizou toda uma gama de conhecimentos milenares no chamado Yoga Sutra, aproximadamente no ano de 150 dC, o Yoga tornou-se um dos seis Dárshanas, isto é, uma das seis escolas filosóficas. As outras são Vedanta, Samkhya, Vaishashika, Nyaya e Purva-Mimamsa.


O caminho óctuplo

Em seus 196 aforismos, o Yoga Sutra descreve um caminho de oito passos para se atingir o despertar da consciência. Os passos, nesta sequência de execução, podem ser descritos como:


1 – Yamas:
disciplina. É como se harmonizar com os demais seres. São divididos em cinco:

  • Ahimsa: Não-violência, ausência da vontade de matar;
  • Satya: Compromisso com a Verdade, veracidade;
  • Asteya: Honestidade (não roubar);
  • Brahmacharya: controle das energias, o “caminho de Brahman”;
  • Aparigraha: Renúncia ao sentimento de posse, desapego.


2 – Niyamas:
são os princípios do autocontrole. Diz respeito à vida interior do Yogin. São eles:

  • Saucha: Pureza (física e mental);
  • Samtosha: Contentamento, bem estar, gratidão, plenitude;
  • Tapas: auto-superação, esforço sobre si mesmo, disciplina;
  • Svadhyaya: Estudo das escrituras sagradas, auto-observação;
  • Ishvara-pranidhana: Devoção, entrega ao Senhor.

 

3 – Ásanas: postura firme e confortável;

4 – Pranayamas: controle da respiração;

5 – Pratyahara: recolhimento dos sentidos;

6 – Dhárana: concentração;

7 – Dhyana: meditação;

8 – Samadhi: iluminação.

Juntos, os oito membros conduzem os praticantes para fora do labirinto de suas próprias preconcepções e confusões, levando-os a um estado sublime de liberdade. Isso se realiza pelo controle progressivo da mente (Citta). – Do livro “Uma Visão Profunda do Yoga”, Georg Feuerstein, Cáp. 13.

A partir desse overview, pode-se aprofundar em cada um dos Yamas e Niyamas para um entendimento apropriado.

1 – YAMAS

AHIMSA: a não violência é o condutor de todos os demais passos. Sem este, o caminho fica “trancado” e não é possível se experimentar os demais. A tradução literal de AHIMSA pode ser “ausência da vontade de matar”, porém esse conceito é de fato mais amplo: baseia-se em não realizar nenhum tipo de violência, até mesmo em pensamento.

SATYA: o compromisso com a verdade é com si mesmo, e também com o próximo. A Viracidade complementa a não violência porque, em última análise, se uma pessoa mente para a outra, também estará realizando um ato de violência. Veja o que nos traz a literatura yogue:

“Não há virtude mais excelente que a veracidade, nem pecado maior que a mentira”. E ainda: “A veracidade é a forma do supremo Absoluto (brahman)”.

ASTEYA: não roubar nada de ninguém é fundamental para se manter a harmonia.

Atenção: não precisa ser necessariamente apropriação de dinheiro ou bens. Muitas vezes, as pessoas tomam a ideia de outrém como delas, e essa atitude também se enquadra neste conceito.

BRAHMACHARYA: controle de todas as energias (físicas, emocionais) e disciplina para utilizá-las. A palavra “charya” significa “caminho” e “Brahman” é o criador. Assim, seria o “caminho de Brahman”, ou como me portar de forma correta em todas as situações.

Alguns entendem como “castidade”, mas ampliando-se a visão, esse conceito pode ser entendido como “fidelidade sexual”, ou seja, caso o(a) praticante tenha um(a) companheiro(a) sexual, que fique apenas com esse – mesmo em pensamento.

APARIGRAHA: desapego, a renúncia para que o Ego não seja alimentado. Os bens materiais podem despertar o apego e o sentimento de posse. Os praticantes de Yoga preferem cultivar a simplicidade voluntária. Dessa forma, a mente não se distrai e a prática não tem interferências.

Nota: Aparigraha não significa “não ter mais nada” ou “não comprar mais nada”. Porém está muito ligado ao conceito de FRUGALIDADE, ou seja, ter apenas o essencial para a vida.

 

 

2 – NIYAMAS

SAUCHA: essa palavra significa “limpeza”, e esta deve ser interna (mente, sentimentos, emoções) e externa (corpo físico).

Para a limpeza externa, faz-se necessário alimentação saudável e higiene pessoal. Já a interna, pode-se utilizar ferramentas como a Concentração (Dhárana) e a Meditação (Dhyana).

SAMTOSHA: Contentamento… Agradecimento sincero sobre a pessoa que é (si mesmo) e a todas as coisas que já se tem na vida (familia, amigos, trabalho, bens materiais etc).

Seria como uma gratidão real e profunda sobre si mesmo, para com todos os demais seres e também com tudo que existe, com aceitação por tudo e todos da maneira que são.

TAPAS: disciplina, autosuperação. A prática de Tapas leva o praticante a se superar, utilizando para isso de jejuns, “exercícios” com grau elevado de dificuldade (ex.: ficar em pé por vários dias), fazer silêncio formal, dentre outras. A ideia é que se produza calor (energia) e possa usar a mesma para a diluição do Ego.

Simples exercícios de Tapas:

  • Acordar e dormir nos mesmos horários todos os dias;
  • Realizar algo que tenha dificuldade (escolha algo simples no início);
  • Deixar de consumir alimentos nocivos e que, por vezes, tem em seu cardápio;

 

SVADHYAYA: baseia-se no estudo das escrituras sagradas, podendo aqui seguir o que cada um entende por “sagrada”. Assim, você pode utilizar a bíblia cristã, o bhagavad-gita dos hindus ou qualquer outro livro sagrado que você tenha afinidade.

ISHVARA-PRANIDHANA: essa entrega ao Senhor. Você faz sua parte e, depois, entrega para que a Vida se encarregue do restante. Aqui, também há uma ideia de “todo”, do “Uno” do Universo, assim, pode-se entender que tudo está conectado, não existe separação.

 

Após estudarmos os Yamas e Niyamas, podemos passar para os passos seguintes do Ashtanga Yoga de Patanjali. Aguarde o tema de nosso próximo artigo!

Até lá, Namastê. Luis Mauricio Fiorelli.