Para marcar as atividades em comemoração ao dia 19 de abril, dia do índio a Escola Municipal de Educação Infantil – Maria Silvia Florenzano, localizada no bairro Bosque dos Eucaliptos recebeu índios Tupis de uma aldeia localizada em Miracatu, por meio do projeto Índio na Escola.

A ação teve por finalidade o resgate do conhecimento da cultura indígena. De acordo com a direção da escola o objetivo do encontro estava em proporcionar aos alunos o contato com a verdadeira cultura indígena e seus valores. Os índios montaram sua oca em na quadra da escola e fizeram um pequeno lago com peixe para mostrar para aos alunos, como é feito a pesca, em seguida fizeram um fogo de brasa, onde assaram peixe, milho e mandioca para que as crianças degustassem de sua culinária. “O mais encantador, foi que eles gostaram do alimento mesmo não havendo sal algum no assado”, comentou a diretora da escola Luceli.

Além do contato com a alimentação, caça e pesca os alunos acompanharam apresentação de cantos e danças que são chamados de rituais de orações, praticados diariamente pelos indígenas em sua “Oy Gwatsu” a casa de oração. Os pequenos tiveram ainda contato com o trabalho de artesanato feito pelos índios, e ainda fizeram uso de arco e flecha no dardo.   De acordo com a direção da escola os índios falaram de seus costumes, fé e tradições, de como cultivam seu amor e cuidado pela natureza. Falaram ainda sobre a atividade de lazer preferida entre os integrantes da tribo que é reunir crianças, jovens, adultos e idosos, em uma roda de conversa, onde eles se divertem muito.

Segundo a índia Sara Kunhã Ratsy, de 36 anos é formada em pedagogia e atua como professora na aldeia, ela relata que em sua tribo há 55 habitantes, entre crianças, jovens e adultos. Ratsy conta que em sua aldeia o cacique também pode ser uma mulher, e a escolha são feita por meio de reunião feita pela comunidade. Atualmente na aldeia onde vivem a mãe de Ratsy é a cacique da tribo.   Já a escolha do Pajé se dá pelo dom enviado por Deus, na língua tupi chamado de “Nhanderu”, a partir daí, a pessoa entra em consagração, aprendendo com Deus como realizar cerimônias e buscando afinidade de seus dons, para atuar como Pajé. “É o Pajé que ajuda a manter a saúde espiritual de sua aldeia, e em até casos de enfermidades mais comuns busca curas por meio da natureza, usando de ervas e raízes”, comentou Ratsy.

Atualmente a tribo conta com trabalho de Ratsy e outras duas índias que após serem escolhidas pela tribo receberam curso de pedagogia, oferecido pelo Governo Estadual, por meio de projeto de formação de professores para aldeias indígenas. “Além do curso a parceria proporcionou ainda a construção de uma escola na Aldeia onde nós lecionamos”, disse Ratsy.

O Ensino passado na escola, segue dois regimentos, a cultura tradicional indígena e o ensino enviado pelo Estado com os estudos das Línguas Portuguesa e tupi-guarani. Ratsy disse ainda que não escolheu a profissão, e sim a profissão a escolheu e é muito grata por isso. Para Ratsy lecionar é a oportunidade que a faz sentir-se muito bem. “Tenho em minhas mãos o poder de transmitir a cultura tupi, para as crianças em sala de aula, e também transmitir os saberes aprendidos através de diálogos entre escola e comunidade”, enfatizou a professora.

Fonte: comunicação prefeitura

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