O médico, o medicamento e a saúde

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Qual papel do médico numa consulta além do seu conhecimento específico?
Existe algo de imponderável numa consulta que vai muito além do tratamento prescrito. O médico vale-se de uma série de informações numa breve e bem conduzida entrevista chamada anamnese de onde obterá informações importantes sobre o paciente e que orientará a consulta. Uma vez vencida essa etapa começa a exploração dos sintomas, medição de parâmetros, auscultas, testar reflexos e etc.
Se não há indicação do uso de medicamento, o que é raro, o médico faz o papel do grande aconselhador e prescritor de sabedoria. Este é o `efeito placebo´ chamado médico.
Quando prescreve medicamentos reforça a confiança do paciente e acrescenta o importante, de novo, ´efeito placebo` na conduta profissional, sendo atencioso e gentil com o paciente. A propósito, placebo é o nome que se dá ao medicamento alopático que não tem princípio ativo, é um não medicamento, utilizado principalmente para verificação da eficácia de determinado novo medicamento quando em desenvolvimento.
Dada a riqueza e complexidade que o termo encerra (sim, existem placebos que funcionam!), o termo ´efeito placebo`, tem sido utilizado de forma cada vez mais ampla no dia a dia para caracterizar a importância da empatia vis a vis durante a consulta. A não aderência ao tratamento, muitas vezes, deve-se ao fato de que uma boa parte dos pacientes não o faz por considerar a conduta do médico pouco confiável, pouco clara e eventualmente errática.
Por outro lado quando vamos à consulta e somos muito bem atendidos, o simples fato deste nos dizer que estamos bem é mais importante do que como estamos realmente nos sentindo e nos sentimos ainda melhor. Se não estamos lá muito bem, mas sendo bem atendidos, empatia rolando, alivia os sintomas, faz renascer o otimismo em função da acolhida. Existe neste ato uma importante carga do, de novo, ´efeito placebo`, o lado positivo do médico. Funciona como o beijinho da mãe no raspadinho no joelho do filho criança, aplaca a dor, ajuda a cicatrizar e ainda evita o desespero da criança.
Josef Breuer, um dos precursores da psicanálise, observou que os católicos iam à igreja, daí para o confessionário, se confessavam e saiam de lá aliviados. De uma forma rasa está aí a origem da Psicanálise, a cura pela palavra, que Sigmund Freud ampliou, criou discípulos e dissidentes.

João Elias é Presidente do Clube de Leitura de Araçoiaba da Serra -CLAS-
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