Médico especialista em saúde metabólica explica o que muda com a chegada da primeira semaglutida brasileira às farmácias

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A chegada do Ozivy®, primeira semaglutida de síntese química produzida no Brasil pela EMS, marca um avanço importante no tratamento da obesidade e do sobrepeso. O medicamento, comercializado com preço cerca de 30% menor que o Ozempic®, amplia o acesso dos pacientes às chamadas “canetas emagrecedoras”.

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Para o Dr. João Paulo Batista de Souza, clínico especialista em saúde metabólica e medicina do estilo de vida, o acesso democratizado é positivo, mas exige prescrição médica e acompanhamento adequado.

“O principal ganho foi o acesso. Pacientes com indicação clínica que antes não conseguiam arcar com o custo agora têm uma alternativa. Mas isso deve ser acompanhado de orientação para extrair o máximo de benefício e minimizar os riscos”, afirma.

Indicações clínicas

Os análogos de GLP-1, como a semaglutida, são indicados para pacientes com:

  • IMC acima de 30;
  • IMC a partir de 27, quando associado a comorbidades como diabetes tipo 2, hipertensão, apneia do sono, esteatose hepática ou colesterol elevado.

Riscos do uso sem prescrição

O médico alerta que a automedicação pode trazer sérios problemas:

  • Agravamento de doenças pré-existentes
  • Deficiências nutricionais e desequilíbrios hormonais
  • Lesões pancreáticas, como pancreatite
  • Perda acelerada de massa muscular, comprometendo o emagrecimento sustentável

Outro risco é a circulação de produtos sem registro na Anvisa e com dosagens inadequadas. “O protocolo é claro: doses baixas no início, com aumento gradativo. Descumprir isso eleva significativamente o risco de complicações”, reforça Dr. João Paulo.

Uso responsável

O medicamento é vendido sob receita de controle especial e requer aplicação subcutânea semanal. Para o especialista, a semaglutida deve ser vista como aliada em um processo de mudança de estilo de vida, que inclui alimentação saudável, atividade física, sono de qualidade e controle do estresse.

Obesidade: uma doença crônica

Dr. João Paulo reforça que a obesidade não deve ser encarada como falta de força de vontade.

“A obesidade é uma doença crônica. Vivemos em uma sociedade com acesso facilitado a alimentos hipercalóricos e estruturalmente sedentária. Tratar a causa significa combinar mudança de hábitos, medicação quando indicada e suporte multiprofissional.”

Sobre o especialista

Dr. João Paulo Batista de Souza é médico clínico especialista em saúde metabólica e medicina do estilo de vida, com formação internacional. Fundador da Liga Acadêmica Brasileira de Medicina do Estilo de Vida, já apresentou pesquisas em congressos internacionais em Madrid, Dubai e Barcelona. Atende em clínica no Jardim Vergueiro, em Sorocaba, e também por telemedicina em todo o Brasil.

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