Julho alerta para prevenção dos cânceres de bexiga e ósseo

• Estimativa do INCA prevê 10.640 novos casos de câncer de bexiga em 2020; câncer ósseo é o tipo mais incidente em crianças e adolescentes.

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O mês de julho é marcado pela campanha Julho Amarelo, de conscientização sobre a importância do diagnóstico precoce e tratamento do câncer de bexiga, aproveitando, também, para fazer um alerta sobre a prevenção do câncer ósseo. Para 2020, a projeção do Instituto Nacional de Câncer (INCA) é de 10.640 novos casos de câncer de bexiga no Brasil. Por sua vez, o câncer ósseo é a neoplasia mais incidente em crianças e adolescentes, conforme o INCA.

O câncer de bexiga caracteriza-se pela produção desenfreada das células presentes no órgão. Essa mutação pode gerar um tumor. Com o tempo, o mal pode se espalhar para outras partes do corpo, a chamada metástase, explica Dr. Luis Antonio Pires, médico oncologista clínico do Instituto de Oncologia de Sorocaba (IOS). O carcinoma urotelial, também conhecido como carcinoma de células de transição, é o tipo mais comum da doença. Ele começa nas células uroteliais, que revestem o interior da bexiga. Os subtipos são descritos de acordo com o grau de acometimento da parede do órgão. Podem ser não invasivos (não atingem as camadas mais profundas) e invasivos (maior profundidade), detalha o oncologista.

A doença atinge, principalmente, homens brancos e de idade mais avançada. “Nove em cada dez pacientes com câncer de bexiga tem mais de 55 anos”, afirma Dr. Luis. O seu surgimento está relacionado a alguns fatores de risco, sendo o tabagismo o mais nocivo. “Os fumantes têm, pelo menos, três vezes mais chances de desenvolver câncer de bexiga do que os não fumantes. Fumar causa cerca de metade de todos os cânceres de bexiga em homens e mulheres”, adverte o especialista. Produtos químicos industriais também têm sido associados como agravantes para o aparecimento da doença. As chamadas aminas aromáticas, como benzina e 2-naftalina, usadas nas fábricas de corantes, podem desencadear o mal, informa o médico do IOS.

Por isso, trabalhadores de alguns setores podem ser mais afetados pela doença, especialmente quando há contato direto e frequente com materiais químicos orgânicos. As fábricas de borracha, couro, têxteis, produtos de tinta e empresas de impressão estão entre as que mais oferecem riscos. Além disso, pintores, mecânicos, cabeleireiros (devido à forte exposição a corantes capilares) e motoristas de caminhão (devido à exposição a vapores de diesel) igualmente têm mais chances de apresentar o mal, elenca o especialista.

Sintomas  

O câncer de bexiga, geralmente, manifesta sintomas já nos estágios iniciais. Os sinais são sangue na urina (hematúria) e mudança na sua coloração, podendo variar entre laranja, rosa ou, menos frequente, vermelho escuro. Outros indicativos são: aumento na frequência de micção, dores, queimação ou outros problemas para urinar, além de redução do fluxo urinário. No caso de metástase, o paciente pode sentir, ainda, dor lombar de um lado, perda de apetite e de peso, cansaço e fraqueza, inchaço nos pés, dores nos ossos e incapacidade para urinar.

A apresentação desses sintomas não significa, necessariamente, a presença do câncer de bexiga, pondera o oncologista do IOS. Eles também são característicos de outros problemas, como infecção do trato urinário (UTI); tumores benignos; pedras nos rins ou bexiga; aumento da próstata (nos homens) e bexiga hiperativa, por exemplo. “Ainda assim, é importante que a pessoa seja avaliada por um médico especialista, para que a causa exata dos sinais possa ser encontrada”, salienta Dr. Luis.

Prevenção, diagnóstico e tratamento

Esse tipo do mal pode ser prevenido com a adoção de hábitos saudáveis de vida. Cessar o tabagismo é a forma mais efetiva de evitá-lo, além de limitar a exposição a produtos químicos no ambiente de trabalho. “Se a pessoa trabalha em um local onde possa estar exposta a esses produtos químicos, deve seguir as boas práticas de segurança no trabalho”, recomenda. Também é essencial ingerir bastante líquido, principalmente água. Ainda, alimentar-se de forma saudável, com a ingestão de grandes quantidades de verduras e legumes, completa o oncologista.

O diagnóstico precoce do câncer de bexiga eleva as chances de cura em até 96%, destaca o médico do IOS. A descoberta é feita por meio dos exames de urina e de imagem, como tomografia computadorizada e ultrassonografia. Diante de dúvidas ou suspeitas, é realizada uma cistoscopia (procedimento para aliviar a área com possíveis alterações). Se, neste exame, forem encontradas anormalidades, parte do material é retirado e encaminhado para biópsia. Caso confirmado o câncer, é definido o tratamento mais adequado para cada paciente. “A probabilidade de cura dependerá do estadiamento (extensão) do câncer (superficial ou invasivo) e da idade e saúde geral do paciente”, esclarece o oncologista.

A terapêutica igualmente é baseada nesses pontos. Levam-se em conta o tamanho do tumor, a profundidade de crescimento dele na parede da bexiga e se espalhou para outras partes. Também são consideradas a velocidade de crescimento das células malignas e as preferências gerais do paciente. A depender do quadro, podem ser prescritas cirurgia, terapia intravesical (medicamento injetado diretamente na bexiga), quimioterapia, radioterapia e/ou imunoterapia, esclarece Dr. Luis.

Dr. Luis Antonio Pires, médico oncologista clínico do Instituto de Oncologia de Sorocaba (IOS)

Câncer ósseo

Este tipo de câncer pode ser dividido em primário e metastático. No primeiro, tumores surgem diretamente nos ossos. No segundo, o mais comum, a doença se instaura nos ossos vinda de outras partes do organismo. “Existem, ainda, outros tipos de cânceres que se desenvolvem nos ossos, mas não começam nas células ósseas. Por isso, não são tratados como tumores ósseos. Um exemplo é o mieloma múltiplo”, elucida Dr. Gabriela Filgueiras Sales, médica oncologista clínica do Instituto de Oncologia de Sorocaba (IOS).

O mais comum é o osteossarcoma. Acomete, principalmente, a população infantojuvenil (0 a 19 anos de idade) e representa de 3% a 5% de todos os cânceres nesta faixa etária, de acordo com o INCA. Esse subtipo aparece, geralmente, nos braços, pernas e pelve. É mais incidente no sexo masculino, informa Dra. Gabriela. O segundo subtipo mais recorrente é o condrossarcoma, seguindo pelo tumor de Ewing. Este último é o segundo mais diagnosticado em crianças, acrescenta a médica.

Hereditariedade

Além dos fatores de risco gerais, tais como: obesidade, sedentarismo, tabagismo e alcoolismo, não há uma razão ambiental causadora do câncer ósseo. Porém, a hereditariedade é um motivo importante. “Uma pequena porcentagem dos tumores ósseos, especialmente os osteossarcomas, parecem ser hereditários e causados por mutação em determinados genes”, fala a especialista. Por isso, pessoas com histórico familiar da doença devem fazer acompanhamento oncológico regular. Elas devem realizar o teste, para saber se estão mais propensas a ter o câncer.

Sintomas

Incluem dores, inchaço e fraturas, sendo o primeiro mais comum. Nos estágios iniciais, o incômodo não é constante. Porém, com o avanço do mal, fica mais intenso. Pode limitar, inclusive, o paciente a se movimentar, como o simples ato de caminhar, detalha Dra. Gabriela. Dependendo da localização do tumor, pode não haver dor, mas, sim, somente um inchaço. Na maioria das vezes, apesar de enfraquecidos, os ossos não se fraturam. Contudo, se um trauma leve ocasionar a quebra de algum osso, é um sinal de alerta, completa.

Diante desses sintomas, recomenda-se, prontamente, procurar atendimento médico especializado, para o diagnóstico precoce. A descoberta é realizada por meio de exames de imagem, sendo eles: raio x, tomografia, ressonância magnética, cintilografia e PET Scan, também conhecido como PET-CT. Estes procedimentos não são considerados diagnósticos finais, apenas indicando possíveis alterações. A resposta definitiva é apontada pela biópsia (retirada de amostra da matéria tumoral para averiguação em laboratório). O tratamento a ser prescrito está diretamente relacionado ao resultado dessa análise. Leva-se em conta o tipo e o estadiamento (avaliação da extensão) do tumor e se há metástase (extensão ara outros órgãos). “Portanto, quanto mais em estágio inicial for descoberta e tratada a doença, maior a chance de cura”, reforça a especialista do IOS.

A partir dessas condições, se estabelece a terapêutica mais adequada para cada caso. A cirurgia, a radioterapia, a quimioterapia e a terapia-alvo são as mais utilizadas. Quando é identificado um tumor localizado, a primeira opção é a cirurgia. Após o procedimento, avalia-se a necessidade de outras intervenções, esclarece a médica. “Quando a lesão está avançada, às vezes, a cirurgia não é benéfica. Então, são utilizadas radioterapia e quimioterapia ou apenas um delas”, complementa.

Dra. Gabriela Filgueiras, médica oncologista clínica do Instituto de Oncologia de Sorocaba (IOS)

Mais informações podem ser obtidas pelo site: www.oncologiasorocaba.com.br ou nas redes sociais: Instagram (@institutooncologiaios) e Facebook (Instituto de Oncologia de Sorocaba “Dr. Gilson Delgado”). O Instituto de Oncologia de Sorocaba está localizado no Centro de Medicina e Saúde, que fica na Av. Comendador Pereira Inácio, 950, Térreo, Jd. Vergueiro, telefone: (15) 3334-3434.

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