Com coautor sorocabano, primeiro ‘romance lean’ do Brasil mostra porque ‘humanizar’ empresas melhora resultados

Livro impresso escrito pelo diretor do Lean Institute Brasil (LIB), que nasceu e mora em Sororcaba (SP), e pelo ombudsman do Itaú, de São Paulo, "Gente Lean" une história ficcional e práticas sobre gestão que, segundo autores, podem desconstruir o "comando e controle", gerar e fortalecer segurança psicológica, diminuindo desperdícios, custos, aumentando produtividade e qualidade; executivos de Itaú, Leroy Merlin, GL Events, CI&T e LIB falam sobre o livro, explicam por que é essencial mudar mentalidades e comportamentos das lideranças e o que as empresas ganham com isso

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Lean Institute Brasil (LIB) divulgação Robson Gouveia, que nasceu e mora em Sorocaba, e Ricardo Oréfice, paulistano, autores do livro "Gente Lean"

Empresas estão descobrindo que a gestão baseada em pressão diária corrói a eficiência, sabota a produtividade e eleva os custos. Em contrapartida, especialistas apontam que construir ambientes psicologicamente seguros, nos quais colaboradores resolvem problemas sem medo de punições, é o melhor caminho para estancar desperdícios ocultos, rotatividade e absenteísmo. Ao substituir o temor pelo diálogo transparente, as companhias ganham agilidade diante de crises, elevam a qualidade e reduzem custos operacionais, transformando a segurança psicológica em um poderoso vetor de sustentabilidade econômica.

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“Essa transformação cultural não pode ser vista como um custo. Ela é a engrenagem oculta que viabiliza a melhoria contínua, elimina desperdícios e sustenta a lucratividade dos negócios no longo prazo”, acredita Robson Gouveia, diretor do Lean Institute Brasil (LIB), que é nascido e morador em Sorocaba (SP).

Essa ideia também é compartilhada por Ricardo Oréfice, que nasceu e mora em São Paulo, ombudsman do Itaú: “Garantir a segurança psicológica e o diálogo respeitoso e transparente nas organizações não é uma agenda de bem-estar abstrata, mas, sim, uma estratégia sofisticada geradora de alta performance, indispensável para mitigar riscos operacionais e garantir a sustentabilidade das companhias.”

Para discutir isso com profundidade, Gouveia e Oréfice estão lançando o livro impresso “Gente Lean: Um romance empresarial sobre liderança, confiança e conexões humanas”, publicado pelo LIB, organização sem fins lucrativos de São Paulo que há três décadas dissemina o sistema lean no Brasil.

Os autores atuam há décadas nessa seara. Gouveia há mais de 30 anos trabalha desenvolvendo pessoas nas companhias com base na gestão lean. E Oréfice tem 25 anos de escuta ativa e ouvidoria corporativa.

Segundo eles, o livro é o primeiro “romance empresarial” – gênero literário focado em histórias ficcionais de ambientes corporativos – escrito e lançado no Brasil com base no sistema lean, modelo de gestão que, em resumo, busca desenvolver pessoas para que possam, em tudo o que fazem, eliminar desperdícios, melhorar processos, resolver problemas e aumentar a agregação de valor aos clientes.

A narrativa acompanha a jornada ficcional de Cristina, nova diretora do Grupo Marquez, um tradicional conglomerado marcado pela busca cega por metas quantitativas, falta de cooperação interna e pelo “silêncio” gerado por medo de punições. Na trama, ela inicia uma transformação cultural para desconstruir a liderança “comando e controle”, criando canais de escuta ativa e revendo métricas sob as premissas da gestão lean.

Com isso, trabalha para construir ambientes psicologicamente seguros, nos quais líderes e liderados possam revelar problemas e implementar soluções sem riscos à saúde mental. Nesse contexto, enfrenta um típico modelo de gestão tradicional baseado no comando e controle, com lideranças “tóxicas” que acham que resultados vêm da pressão constante e da busca por “números”.

Nova liderança é ‘ato de coragem’, dizem executivos

O livro já recebeu menções comemorativas de altas lideranças de empresas que tiveram contato exclusivo com a obra antes do lançamento oficial e, com isso, refletiram sobre a redefinição necessária acerca do papel das lideranças hoje.

Para Tatyana Montenegro, diretora de Pessoas do Itaú, ler “Gente Lean” é lembrar que cultura se constrói nas atitudes diárias. “E que liderar é um ato de coerência entre o que se diz e o que se faz”, acredita.

“É um livro sobre coragem que líderes devem ter para ouvir verdadeiramente, reconhecer limites e liderar com empatia sem renunciar a resultados. Um convite para quem acredita que o sucesso nasce da qualidade das relações. E que cultura é, antes de tudo, um elemento estratégico”, ressaltou a executiva.

Essa percepção é compartilhada por Claudia Zen, diretora da Universidade Corporativa Leroy Merlin. “A obra é um convite corajoso para repensar liderança, não como ‘autoridade’, mas como prática de aprendizado”, ressaltou.

Também por Candido Bracher, conselheiro e ex-CEO do Itaú. “O livro nos lembra que dúvida é aliada; erro é aprendizado. E valorizar pessoas é o melhor caminho para construir cultura”, afirmou.

Para Lana Salles, diretora da Recursos Humanos da GL Events na América Latina,  discutir, em profundidade, “gente” nas empresas, que é o que o livro faz, é sempre um bom começo. “É quando lembramos que, por trás de cargos e metas, somos todos humanos. E quem esquece disso perde o que tem de mais valioso: sua humanidade”, ressaltou.

“Isso exige resiliência e, sobretudo, coragem que nasce de um lugar profundo, onde propósito e identidade se encontram. É por isso que esse livro é mais do que uma obra sobre gestão. É um convite, um espelho e uma oportunidade”, lembrou Solange Sobral, sócia e vice-presidente executiva da CI&T

Flávio Battaglia, presidente do Lean Institute Brasil (LIB), nesse contexto, o livro explicita algo que muitos líderes intuem, mas hesitam em assumir: “não há transformação cultural possível sem evoluir os sistemas que organizam o comportamento cotidiano”, complementou o executivo.

Para olhar o próprio ‘umbigo’

Para especialistas, essa migração do modelo tradicional de comando e controle para a liderança mentora exige dos executivos uma readequação mental sem precedentes na história corporativa.

Os autores de “Gente Lean” apontam que a principal barreira para essa mudança reside no histórico de sucesso dos próprios gestores, que muitas vezes foram promovidos ao longo de suas carreiras pela capacidade de centralizar decisões e ditar respostas prontas. Essa herança gerencial cria resistências para a adoção de posturas focadas na vulnerabilidade, na escuta e na delegação.

Para Oréfice, trata-se do grande risco moderno, que é o de normalizar condutas que funcionaram em outros momentos, mas que hoje afastam a liderança da realidade das equipes e criam barreiras de convivência.

“Essa busca por replicar velhas fórmulas só gera falta de conexão humana e esconde problemas”, aponta o ombudsman do Itaú.

A quebra dessas resistências mentais depende de uma postura de abertura e de um olhar reflexivo das lideranças, que precisam aprender a enxergar as próprias falhas comportamentais. “É aprender a se reconstruir a cada momento, tendo humildade e coragem para analisar os próprios erros e mudar de rota”, resumiu Oréfice.

Das salas de reunião para o ‘gemba’

Para os autores, essa nova liderança deve sair do isolamento das salas de reunião e se aproximar do trabalho cotidiano no “gemba”, expressão japonesa utilizada na gestão lean para se referir ao local onde o trabalho real agrega valor.

Segundo os especialistas, esse distanciamento da realidade operacional faz com que muitos tomadores de decisão gerenciem companhias baseados em relatórios e apresentações de slides, o que costuma mascarar falhas e gargalos.

“Líderes mais presentes, que escutam melhor e desenvolvem pessoas, sem priorizar punições e gerar medos, costumam formar equipes engajadas, responsáveis e comprometidas com melhoria contínua”, diz Gouveia.

Para ele, a sustentabilidade das organizações depende da capacidade dos gestores de transformarem as microinterações diárias em espaços de confiança, abolindo a cultura do silêncio, fruto do medo, que paralisa o crescimento.

Para isso, dizem autores, é preciso desenvolver outra mentalidade e prática de gestão. Por exemplo, substituir o comando e controle, baseado em ordens e na entrega de soluções prontas, pela interação cotidiana com liderados, para apoiá-los na revelação e solução científica de problemas.

No entanto, acreditam os especialistas, isso pressupõe algo ainda difícil de se fazer, que é priorizar a “punição dos processos”, mas não das pessoas, visando, ao contrário, desafiá-las, apoiá-las e, assim, desenvolvê-las. Assim, eliminar medos, fortalecendo a segurança psicológica para que possam se expressar sobre o que de fato ocorre nas organizações.

“No longo prazo, isso se traduz numa cultura mais forte, menor desgaste humano e resultados consistentes para a organização”, enfatizou o diretor do LIB.

Segundo os autores, ao humanizar o acompanhamento operacional, o livro oferece uma nova perspectiva de governança para os C-levels que pretendem liderar estruturas resilientes, descentralizadas e preparadas para lidar com mudanças econômicas constantes.

Ficção com conceitos e práticas

Com 267 páginas ilustradas, o livro divide-se em 10 capítulos. Cada um combina o enredo ficcional com um guia prático sobre como implementar conceitos como o Gerenciamento Diário (GD), umas das essências do sistema lean, capaz de transformar reuniões burocráticas em espaços ágeis de resolução de problemas, gerando ambientes psicologicamente seguros e combatendo a “cultura do silêncio”.

A obra une uma história ficcional a explicações detalhadas sobre conceitos e práticas de gestão: em cada um dos 10 capítulos, após a leitura das aventuras dos personagens, o leitor se depara com uma espécie de manual e guia, práticos e rápidos, sobre como implementar o que foi vivenciado na narrativa ficcional.

No capítulo dedicado a entender a “cultura organizacional”, por exemplo, o leitor terá um resumo das “Lições Aprendidas”, com dicas para se implementar, além de um detalhamento de 13 maneiras sobre como evitar a “cultura do silêncio” e favorecer a abertura para o diálogo.

Para os autores, todo esse conteúdo conceitual e prático pode ajudar executivos a perceberem que transformação cultural não acontece pelo que a liderança comunica, mas pelo ambiente que ela cria todos os dias. “No fundo, o livro faz uma pergunta silenciosa ao leitor: ‘as pessoas realmente conseguem crescer ao seu lado?’ Essa talvez seja uma das reflexões mais difíceis e mais importantes para qualquer líder”, destaca Oréfice.

Fusão de trajetórias e respeito

A própria construção do livro a quatro mãos funcionou como um laboratório prático dos conceitos defendidos pelos autores na obra, demandando mentalidade abertura, generosidade e confiança entre os autores.

Oréfice revela que a parceria com Gouveia se consolidou ao longo de dez anos, tempo em que ambos vêm compartilhando dilemas corporativos e aprofundando o debate sobre a necessidade de centralizar o fator humano. Para o diretor do LIB, a obra, fruto de dois executivos com trajetórias distintas, mas complementares, foi uma fusão real não só de trajetórias, mas de segurança psicológica e respeito mútuo.

“A gente acreditava desde o princípio que a soma das nossas visões seria melhor do que cada uma delas de forma individual”, afirma Gouveia, destacando que, até por conta desse processo de criação, a obra se potencializa nessa busca da humanização profunda sobre as relações humanas para impulsionar o aprendizado e a melhoria contínua.

Serviço:

Livro: Gente Lean: um romance empresarial sobre liderança, confiança e conexões humanas.

Autores: Robson Gouveia e Ricardo Oréfice.

Editora: Lean Institute Brasil (LIB).

Ano: 2026.

Formato: Impresso, 267 páginas.

Preço de capa: R$ 108,00

Onde comprar: https://www.leanshop.com.br/produto/180/Gente-Lean-Um-romance-empresarial-sobre-lideranca,-confianca-e-conexoes-humanas.aspx

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