Respeito foi o enredo deste Carnaval em Araçoiaba da Serra – Foto: Gabriel Cherle.
Por Vitória Dominguês

Supervisão Departamento de Comunicação

No período das festas de carnaval são comuns as campanhas de conscientização contra o assédio, ato considerado crime desde setembro de 2018 com a sanção da lei que definiu o crime de importunação sexual, Art. 216 a de crimes contra honra e prevê penas de 1 a 5 anos de prisão.
No carnaval de Araçoiaba da Serra, tradicionalmente realizado na Praça Coronel Almeida o recado contra atos de assédio sexual foi dado em todas as noites pelos organizadores, que durante as pausas da banda animadora do evento anunciou por meio da locução “Não é não , respeito é enredo deste carnaval”. De acordo com dados da Policia Militar nenhum caso foi registrado durante os cinco dias de carnaval na cidade.
Entre os foliões que escolheram Araçoiaba para curtir o evento a estudante de direito, Isabela Cristina, 18, considera que o fato de ser mulher e negra no carnaval, gera não apenas assédio, mas pode acabar em atos preconceituosos. “Nesse período a mulher negra é retratada, em fantasias como ‘Nega maluca’, ou chamada de ‘Mulata’ de forma pejorativa”, comentou.
E não apenas as mulheres sofrem com atos abusivos e que podem ser caracterizados como crime de importunação sexual, Rafael Lopes, 21 anos, comenta que homossexuais também estão expostos a esse tipo de assédio, em grandes eventos e também no dia-a-dia. “Não é nada comparado com as mulheres, né? Porque a mulher sofre muito preconceito, mas, por ser gay, já sofri assédio”, relatou.
Rafael considera o ato lamentável e diz que a forma constante com que atos de assédio sexual são praticados demonstra a falta de evolução da sociedade. Diante das mais diversas circunstâncias, Isabela argumenta também, que o respeito deve prevalecer, mas ressalta que a mulher acompanhada tem a sensação de proteção maior.
Nem sempre atos de importunação sexual, seja contra a mulher ou não, em seus mais diversos ambientes revelam-se de forma visível. O baixo número de denúncias em conseqüência, de punições, demonstram que ainda há preconceito contra as vítimas, muitas vezes acusadas de terem a “culpa”.
A psicóloga Michele Matarazzo considera que um lado sempre irá se sentir inferior ao outro, no caso, a vítima com relação ao agressor. “É algo inerente em nossa cultura, onde o homem se sente no direito de agredir a mulher, sentindo-se superior a ela”, disse Michele.
De acordo com a psicóloga o que está em jogo é o que a população entende como violência. No julgamento de senso comum a maioria das pessoas considera que a mulher provoca e, por isso, é estuprada. Em grande parte dos casos, mesmo quando denunciados as vítimas sentem-se culpadas, sentimento que vem do próprio consciente. “A vítima tem em mente que algo faz para merecer o que ocorreu, o que não é verdade”, enfatizou Michele.

Campanha Nacional
Neste ano ainda no mês de fevereiro a Secretaria Nacional de Políticas para Mulheres da Presidência da República lançou, uma campanha digital que fez um alerta sobre o assédio no carnaval. O trabalho explicou a diferença entre assédio e paquera, bem como relembrou o número da central de atendimento da SPM, o Ligue 180.
A construção da campanha envolveu a força de trabalho da instituição, que voluntariamente gravou depoimentos sobre o assunto. A mensagem foi apresentada de forma multifacetada e com uma linguagem espontânea de pessoas de faixa etária e sexo diferente.
“Nos juntamos aos grandes movimentos realizados no país, neste período, para lembrar a importância de eliminar o assédio desta festa tão representativa. Aproveitamos para reforçar que a central de atendimento está disponível 24h para receber as denúncias. Em caso de assédio, ligue 180 ”, ressalta Fátima Pelaes, Secretária de Políticas Para Mulheres.

Cobertura do Carnaval 2019 – Araçoiaba da Serra
Parceria Prefeitura por meio do Departamento de Comunicação e Coordenação do Curso de Jornalismo – Uniso