
busca por desempenho e superação nos treinos tem ganhado força nas redes sociais, impulsionada por desafios e recordes pessoais. Mas, por trás dessa cultura de alta intensidade, existe um risco pouco conhecido: a rabdomiólise induzida pelo exercício, uma condição grave causada pela destruição das fibras musculares.
Segundo Washington Alves, profissional de Educação Física da UBS Jardim Lídia, a rabdomiólise ocorre quando há uma lesão muscular aguda que libera componentes intracelulares na corrente sanguínea, como a mioglobina. “Em excesso, essa proteína pode sobrecarregar os rins e levar à insuficiência renal. Outras substâncias, como a creatina quinase (CK) e o potássio, também são liberadas e podem provocar alterações metabólicas relevantes, incluindo arritmias cardíacas”, explica.
O esforço físico extremo é um dos principais gatilhos, especialmente quando associado à falta de preparo, desidratação, recuperação insuficiente ou exposição ao calor. O consumo de álcool, o uso de certos medicamentos e condições clínicas prévias também aumentam o risco.
Crescimento da prática e alerta dos especialistas
Dados do Vigitel, do Ministério da Saúde, mostram que 40,6% dos adultos brasileiros atingem o nível recomendado de atividade física no tempo livre — um número que vem crescendo na última década. Com isso, os treinos de alta intensidade se tornaram cada vez mais populares, exigindo atenção redobrada à recuperação.
“O organismo responde ao estímulo do exercício, mas precisa de um intervalo para se reconstruir. É nesse processo que ocorre a evolução”, afirma Alves. Segundo ele, o problema não está na intensidade, mas na repetição do esforço sem descanso adequado. “O risco começa quando treinar em estado de exaustão e ignorar a dor vira um padrão. O corpo deixa de se adaptar e passa a emitir sinais de alerta.”
Sintomas que exigem atenção
Os primeiros sinais podem ser confundidos com dores comuns do pós-treino, mas há sintomas que indicam risco:
- Dor muscular intensa e persistente, que dificulta movimentos simples.
- Fraqueza e rigidez, com perda de força e dificuldade para contrair o músculo.
- Inchaço e sensibilidade na região afetada.
- Urina escura, semelhante à cor de refrigerante de cola, indicando presença de mioglobina.
- Mal-estar, náuseas e cansaço extremo.
“É importante lembrar que nem todos os casos apresentam urina escura, o que pode atrasar o diagnóstico. Ao identificar um conjunto desses sintomas, a avaliação médica imediata é indispensável”, reforça o especialista.
Prevenção e equilíbrio
A lógica da superação constante muitas vezes leva à negligência do descanso — parte essencial de qualquer programa de treinamento. “Muitas pessoas ainda associam dor à eficácia, o que é um equívoco perigoso. Existe uma diferença clara entre o esforço que gera adaptação e o excesso que causa lesão”, alerta Alves.
Para prevenir, recomenda-se:
- Respeitar a progressão gradual de volume e intensidade.
- Manter hidratação adequada antes, durante e após o exercício.
- Garantir períodos de descanso suficientes.
- Evitar treinar em condições extremas de calor e umidade.
- Reconhecer os sinais de exaustão e saber a hora de parar.
Embora rara, a rabdomiólise pode ter consequências graves. “O segredo para um progresso seguro e duradouro não é treinar até o limite todos os dias. É o equilíbrio que garante resultados e preserva a saúde”, conclui Alves.





