Lei Seca completa 18 anos, mas álcool ainda está presente em milhares de sinistros no Brasil

Mesmo após quase duas décadas de tolerância zero, combinação entre bebida e direção segue entre os principais fatores de risco no trânsito brasileiro

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A Lei Seca completa 18 anos neste mês, consolidada como uma das principais políticas públicas de enfrentamento à violência no trânsito. Sancionada em 19 de junho de 2008, a legislação endureceu as penalidades para motoristas flagrados dirigindo sob efeito de álcool e estabeleceu a política de tolerância zero para alcoolemia ao volante. Neste ano, a importância histórica da lei ganhou reconhecimento oficial com a criação do Dia Nacional da Lei Seca.

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Ao longo desse período, a legislação ajudou a transformar o comportamento da sociedade brasileira, ampliando a fiscalização, o debate sobre segurança viária e a percepção de risco sobre associar álcool e direção. Ainda assim, os números mostram que o problema persiste nas rodovias e cidades do país.

Redução, mas ainda com altos índices

Levantamento recente da Polícia Rodoviária Federal (PRF) aponta redução nos sinistros relacionados à ingestão de álcool nas rodovias federais desde a implementação da Lei Seca — reflexo direto do fortalecimento da fiscalização e das campanhas educativas. Mesmo assim, as operações da PRF continuam registrando milhares de autuações todos os anos por essa infração.

Atualmente, dirigir sob efeito de álcool é considerado infração gravíssima, com multa de R$ 2.934,70, suspensão do direito de dirigir por 12 meses e retenção do veículo. Em casos em que o teste do bafômetro indica índices mais elevados, a conduta também pode configurar crime de trânsito.

Mudança cultural e desafios

Para Luiz Gustavo Campos, diretor e especialista em trânsito da Perkons, a principal transformação provocada pela Lei Seca foi cultural, mas ainda há desafios importantes relacionados à conscientização e ao comportamento de risco.

“A Lei Seca mudou a forma como a sociedade passou a enxergar a combinação entre álcool e direção. Há 20 anos, esse comportamento era encarado com muito mais naturalidade. Hoje existe maior percepção de risco e reprovação social, mas ainda convivemos com situações preocupantes que continuam colocando vidas em perigo”, afirma.

Segundo ele, um dos principais problemas está na falsa sensação de controle que o álcool provoca nos condutores.

“Muitos motoristas acreditam que pequenas quantidades não comprometem a capacidade de dirigir, quando na verdade o álcool afeta reflexos, percepção de distância, tempo de reação e tomada de decisão em qualquer dose. No trânsito, segundos fazem diferença”, explica.

Tecnologia e responsabilidade

Dados da PRF reforçam que excesso de velocidade, distração e ingestão de álcool continuam entre os principais fatores associados aos sinistros mais graves nas rodovias federais. Especialistas destacam que o avanço da tecnologia aplicada ao trânsito também contribui para ampliar a segurança viária, com sistemas de monitoramento inteligente e análise de comportamento.

“A tecnologia é uma aliada importante, mas nenhuma solução substitui a responsabilidade individual. Segurança viária começa pelas escolhas feitas antes mesmo de ligar o veículo”, conclui Campos.

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