
O golpe do “falso advogado” tem se espalhado pelo Brasil e já soma milhares de vítimas. A prática consiste em criminosos que entram em contato com pessoas que possuem ações judiciais em andamento, utilizando informações reais dos processos para se passar por advogados ou representantes de escritórios. A promessa é a liberação de valores, condicionada ao pagamento antecipado de supostas taxas, como custas processuais ou honorários.
Segundo dados da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), apenas em 2025 foram registradas mais de 14,6 mil denúncias sobre esse tipo de fraude em 21 estados e no Distrito Federal. Em São Paulo, foram contabilizadas 4.388 denúncias em pouco mais de um ano e meio, o que levou a seccional paulista a intensificar campanhas de conscientização.
Para o advogado especializado em Direito Bancário, João Marques, o sucesso do golpe está na forma como é estruturado. “O golpista não improvisa, ele constrói uma realidade paralela. Primeiro, capta uma petição real do processo judicial com o nome do cliente, endereço e valores envolvidos. Depois, contata a vítima já indicando o número do processo, o nome do juiz e a fase exata em que o caso se encontra. Fala com a linguagem da lei e cria urgência. A vítima não percebe que está sendo manipulada porque tudo parece verdadeiro”, explica.
O acesso a esses dados ocorre por meio dos próprios sistemas públicos da Justiça. “Grande parte dos processos judiciais no Brasil pode ser consultada online. Isso não é uma falha de segurança, mas uma característica da transparência do sistema. O problema é que criminosos utilizam essas informações para dar credibilidade ao golpe”, afirma Marques.
Embora muitos associem esse tipo de fraude a idosos, o perfil das vítimas é mais amplo. “O mais vulnerável é quem já está esperando alguma decisão ou recebimento, como aposentados, trabalhadores com ações judiciais ou pessoas envolvidas em inventários. A expectativa acaba sendo a brecha para o golpe”, pontua o advogado.
Como identificar o golpe
Entre os sinais mais comuns estão:
- Criação de urgência para tomada de decisão.
- Pedidos de pagamento antecipado por meios informais, como transferências via Pix para contas de pessoas físicas.
- Dificuldade de confirmar a identidade do suposto advogado junto à OAB ou ao escritório citado.
O que fazer se cair no golpe
Caso a vítima realize algum pagamento, a orientação é agir rapidamente:
- Acionar o banco para tentar bloquear a transação.
- Registrar boletim de ocorrência.
- Reunir provas como mensagens, comprovantes e dados de contato.
- Comunicar órgãos como Procon e Banco Central.
Prevenção
Diante do crescimento dos casos, especialistas reforçam a importância da cautela. A recomendação é sempre desconfiar de contatos inesperados envolvendo processos judiciais e buscar confirmação diretamente com o advogado responsável antes de qualquer pagamento.





