Câncer de ovário: sintomas silenciosos ainda desafiam diagnóstico precoce

As manifestações persistentes não devem ser ignoradas; quando detectada com antecedência, a condição tem altas taxas de cura

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O câncer de ovário segue como um dos tumores ginecológicos mais desafiadores quando o assunto é diagnóstico precoce. Muitas vezes silenciosa nos seus estágios iniciais, a doença pode apresentar sintomas inespecíficos que acabam confundidos com problemas gastrointestinais, o que contribui para que a detecção aconteça de forma tardia.

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De acordo com a oncologista do Instituto de Oncologia de Sorocaba (IOS), Bruna Carone, distensão abdominal (a popular “barriga inchada”), sensação de plenitude, dor abdominal ou pélvica, alterações no hábito intestinal (constipação ou diarreia), fadiga inexplicada e mudanças de peso sem causa aparente estão entre os principais sintomas da doença. “O problema é que essas manifestações são comuns a diversas condições benignas, o que pode atrasar a investigação adequada”, explica.

A especialista destaca, porém, que há diferenças importantes entre sintomas benignos e aqueles que merecem maior atenção. “Os quadros não graves tendem a oscilar, melhorar espontaneamente ou ter relação clara com alimentação ou ciclo menstrual. Já os sintomas de alerta persistem diariamente ou quase todos os dias, duram semanas, podem piorar com o tempo e não respondem a medidas habituais”, afirma.

Um ponto de atenção importante, segundo a médica, é a duração e a frequência dos sintomas. “Se um sintoma persiste por mais de duas a três semanas e aparece com frequência ao longo do mês, especialmente se for algo novo, é fundamental buscar avaliação médica”, orienta.

Exames e rastreamento

Um mito comum envolve a ideia de que existem exames eficazes para todas as mulheres. “Infelizmente, ainda não temos um rastreamento universal eficiente para o câncer de ovário. O ultrassom transvaginal pode ajudar a identificar alterações suspeitas, mas a sua indicação depende de sintomas, achados no exame físico ou histórico familiar”, esclarece a oncologista.

Fatores de risco

Entre os principais fatores de risco estão:

  • Idade, especialmente após a menopausa
  • Histórico familiar de câncer de ovário ou mama
  • Mutações genéticas
  • Nuliparidade (ausência de filhos)
  • Obesidade
  • Tabagismo
  • Uso de terapia de reposição hormonal

A identificação desses fatores pode ajudar na definição de estratégias de acompanhamento mais individualizadas.

Esperança no diagnóstico precoce

Apesar dos desafios, há uma importante verdade que traz esperança: quando diagnosticado precocemente, o câncer de ovário tem altas taxas de cura. “No estágio inicial, as chances podem chegar a 90%. O grande desafio é que, por ser uma doença silenciosa no começo, muitos casos são descobertos em fases avançadas, exigindo tratamentos mais complexos que vão além da cirurgia”, conclui a Dra. Bruna.

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