20 de maio – Dia da (o) Pedagoga (o)

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Como educador, estudioso da educação e entusiasta a cada dia mais sobre suas potencialidades transformadoras da sociedade, me debruço para escrever este artigo ao lado de dois livros de Paulo Freire: Pedagogia do Oprimido e Pedagogia da Autonomia.

Em consequência da militarização da educação (não me refiro às escolas militares) e a capitalização da educação como modo altamente rentável e busca-se, evidentemente, essa rentabilidade (ainda que se condene, em alguns casos, sua qualidade), precisamos reavaliar muitas valorações, valorizações e processos educacionais que culminam na desvalorização da educação e dos educadores. Ademais, há uma lição de Aristóteles que diz: “As raízes do estudo são amargas, mas seus frutos são doces”.

Deixando de lado a limitação da minha ousadia em utilizar palavras de grandes personalidades para abrilhantar meu texto, gostaria de compartilhar e enaltecer um trecho do texto “Ensinar exige humildade, tolerância e luta em defesa dos direitos dos educadores”, do livro Pedagogia da Autonomia – saberes necessários à prática educativa.

“O meu respeito de professor à pessoa do educando, à sua curiosidade, à sua timidez, que não devo agravar com procedimentos inibidores, exige de mim o cultivo da humildade e da tolerância. Como posso respeitar a curiosidade do educando se, carente de humildade e da real compreensão do papel da ignorância na busca do saber, temo revelar o meu desconhecimento? Como ser educador, sobretudo numa perspectiva progressista, sem aprender, com maior ou menor esforço, a conviver com os diferentes? Como ser educador, se não desenvolvo em mim a indispensável amorosidade aos educandos com quem me comprometo e ao próprio processo formador de que sou parte? Não posso desgostar do que faço sob pena de não fazê-lo bem. Desrespeitando como gente no desprezo a que é relegada a prática pedagógica, não tenho por que desamá-la e aos educandos. Não tenho por que exercê-la mal. A minha resposta à ofensa à educação é uma luta política, consciente, crítica e organizada contra os ofensores. Aceito até abandoná-la, cansado, à procura de melhores dias. O que não é possível é, ficando nela, aviltá-la com o desdém de mim mesmo e dos educandos.

Uma das formas de luta contra o desrespeito dos poderes públicos pela educação, de um lado, é a nossa recusa a transformar nossa atividade docente em puro bico, e de outro, a nossa rejeição a entendê-la e a exercê-la como prática afetiva de “tias e de tios”.

É como profissionais idôneos – na competência que se organiza politicamente está talvez a maior força dos educadores – que eles e elas devem ver-se a si mesmos e a si mesmas. É neste sentido que os órgãos de classe deveriam priorizar o empenho de formação permanente dos quadros do magistério como tarefa altamente política e repensar a eficácia das greves. A questão que se coloca, obviamente, não é parar de lutar, mas, reconhecendo-se que a luta é uma categoria histórica, reinventar a forma também histórica de lutar”.

Participe da solução! Envolva-se! Incomoda? Então não se acomode!

 

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