
Michael Rich, professor de pediatria na Universidade de Harvard traz uma reflexão importante: A geração ansiosa não são as crianças. São os pais.
Considerando que as famílias possuem conformação distinta, neste texto, quando me refiro “pais”, contemplo toda forma de cuidado, compaixão e educação.
A partir da afirmativa de Michael Rich, vamos refletir juntos? Será mesmo que crianças e adolescentes são os grandes vilões do uso excessivo de telas? Ainda que não seja sobre telas, cabe outra questão: como pais podem reclamar da criança sobre não almoçar, pois comeu um pacote de bolacha recheada, por exemplo, se quem fez a compra foram os pais?
De quem são as escolhas pelo cardápio durante a introdução alimentar de uma criança? De quem deve ser a escolha sobre o uso de telas, senão dos pais? Qual é a parte adulta da relação que deve oferecer, influenciar, motivar, estimular e, assim, deve ter a responsabilidade direta em sua formação?
Tenho observado em todo local público, adultos ao celular e crianças sem atenção. É sobre estar por perto e presente. É sobre estar ao lado e vivenciar juntos. Não obstante e infelizmente, também é fácil observar crianças (independentemente da idade) em atenção às telas e adultos sem interação.
Pensemos, também, sobre o paradoxo da bronca, quando adultos advertem: “larga esse celular”, enquanto são os mesmos que não desgrudam das telas. Já sabemos que crianças aprendem mais através do exemplo, do que com correções veementes.
A melhor maneira de educar sempre foi pelo exemplo. Não proíba, ensine a usar. Não vigie, seja mentor do uso. Não “vomite” regras. Desenvolva, estipule e direcione as expectativas mútuas.
Por fim, você sabe qual foi a resposta mais comum em sessões de terapia infantil quando perguntado: “o que seus pais poderiam fazer melhor?”
A resposta foi: “PRESTAR MAIS ATENÇÃO EM MIM”.
O que educa de verdade? Passeio de bicicleta, piquenique, jogo de tabuleiro em família, roda de conversa (sem julgamento, cheia de curiosidades e perguntas), cozinhar em família, auxílio mútuo nas tarefas domésticas, atividade física em família, compre livros adequados à idade da criança e leia com ela, conversem sobre as possibilidades que se abrem através da criatividade e imaginação da história, visitar um local desconhecido em que todos decidiram juntos… abra-se às possibilidades da vida!
Quem tem mais dificuldade em largar o celular na sua casa: você ou seu filho?
Participe da solução! Envolva-se! Incomoda? Então não se acomode!





