
O relatório Vigitel 2025, divulgado pelo Ministério da Saúde, mostra que mais de seis em cada dez adultos brasileiros estão acima do peso recomendado para sua altura. O levantamento, realizado por entrevistas telefônicas em todas as capitais, reforça que a obesidade deixou de ser apenas uma questão estética e se consolidou como um problema de saúde pública.
Crescimento acelerado
O monitoramento começou em 2006, quando 42,6% da população apresentava excesso de peso. Em 2024, esse índice chegou a 62,6%, representando um aumento de 118% em 18 anos. Apenas entre 2023 e 2024, houve um salto de 1,2 ponto percentual, evidenciando a velocidade do avanço.
Impactos na saúde
Para o médico clínico Marcelo Bechara, especialista em longevidade e hormonologia, o cenário pode ser classificado como epidêmico. Ele alerta que a obesidade está diretamente ligada ao crescimento de doenças crônicas como hipertensão, diabetes, infarto, AVC, esteatose hepática e até alguns tipos de câncer. “O sistema de saúde será cada vez mais sobrecarregado, com custos elevados e maior dificuldade em garantir atendimento adequado. É uma verdadeira bomba-relógio”, afirma.

Mudança nos hábitos
O estudo também analisou padrões de atividade física. Caminhadas e deslocamentos a pé caíram de 17% em 2009 para 11,3% em 2024. Em contrapartida, houve aumento de 42% na proporção de adultos que praticam exercícios moderados no tempo livre, como academia ou esportes recreativos.
Canetas emagrecedoras e estilo de vida
Em meio à popularização dos medicamentos para emagrecimento, Bechara ressalta que mudanças simples de rotina podem reduzir significativamente os índices de sobrepeso. Ele destaca a importância da prática regular de atividade física, alimentação equilibrada, sono adequado e controle do estresse. O uso de fármacos, segundo o especialista, deve ser restrito a casos específicos e sempre acompanhado por orientação médica.





