
As memórias de infância estão completamente formadas com cães ao redor. Foram vários… Samanta, Urco, Bandit, Lulho, Roger, Suki, Sansão, Dalila e outros tantos já passaram pela minha trajetória de vida.
Cada qual em sua particularidade da raça, dos estímulos, do controle (ou da falta dele), do tempo dedicado a eles e nos ensinam em sua maneira. Biologicamente, essa espécie tem sido domesticada e raças têm sido formadas ao longo dos séculos com interesses específicos, como caça, guarda, companhia, pastoreio.
Considerando, evidentemente, os cães que não estão passando por abandono ou maus-tratos e independente dos estilos para os quais as raças foram desenvolvidas, de alguma forma, são mais felizes do que todos nós.
Acordam todos os dias animados para viver (quase sempre) a mesma rotina, entusiasmados pelas mesmas pessoas, comer as mesmas comidas e possivelmente ainda caminhar pelos mesmos caminhos.
Acalme-se, pois essa análise não se trata em comparar a espécie humana aos cães domésticos. Cães vivem o presente completamente! Não remoem o passado, não há expectativas pelo amanhã.
Essa alegria e felicidade é sobre o que possuem, mas não sobre o ter. É sobre o que já existe. Não desejam ter mais, ainda que precisem ter água fresca, ração de boa qualidade, companhia, passeios, estímulos cognitivos e exercícios. Valorizam o que já possuem, valorizam o que já existe.
Precisam ter rotina. Os mesmos momentos, o mesmo amor, a mesma hora da alimentação. Não há tédio. Há entrega pela vida. Há entrega pela vivência e com muito agradecimento. Se adotou um cão abandonado, certamente aprendeu o pleno significado de agradecimento.
Há alegria plena pela família, contentamento com a familiaridade. Para os cães não há repetição, pois vivenciam a rotina como estabilidade. Sem pressão, sem comparação, sem julgamento… há presença íntegra, verdadeira, completa.
Cada cão que passou pela minha trajetória de vida me ensinou algo, mas todos me ensinaram a viver assim. E ainda que nem sempre eu cumpra esse propósito, fizeram de mim um ser humano mais sensível.
Talvez teu momento não seja pensar “fora da caixa”, não seja transformar sua vida, não seja ressignificar tua existência. Talvez seja amar a sua vida do jeito que um cachorro já ama.
Participe da solução! Envolva-se! Incomoda? Então não se acomode!



