O advento dos grupos escolares no estado de São Paulo: sua relação com a democratização da escola

27-11-2018 22:45
O advento dos grupos escolares no estado de São Paulo: sua relação com a democratização da escola

Proclamada a República, especialmente no estado de São Paulo surgiram novos ideais; o progresso constitui a ordem do dia; dentre os republicanos, principalmente os que detinham parcela de poder no governo seguiam ideais positivistas, e o lema da ordem e progresso tornou-se uma regra a ser seguida. Necessário seria melhorar a qualidade dos serviços prestados à população, dentre eles, a educação e, principalmente no estado de São Paulo, o emblema da instauração da nova ordem surgia como uma luz para iluminar as trevas da parca instrução e do analfabetismo. Objetivando estruturar o ensino primário e secundário no país e em São Paulo, o governo introduziu em 1894 o sistema de grupo escolar voltado ao ensino primário. Estudos apontam que no ano de 1900, o país contava com 9.750.000 habitantes de mais de 15 anos, dos quais 3.380.000 eram alfabetizados e 6.370.000 analfabetos. Segundo dados do IBGE na década de 1920, o Brasil contava com 23.142.248 analfabetos para uma população de 30.635.605 de habitantes. Os grupos escolares surgiram com estrutura para reunir as escolas primárias também chamadas de primeiras letras, que se constituíam em classes isoladas e unidocentes, onde um professor ministrava instrução para crianças com diversas idades e de avanço escolar heterogêneo. Os grupos escolares visavam atender as crianças brasileiras e também aos filhos de imigrantes e no ideário republicano, a educação foi atrelada à cidadania, portanto, imprescindível para a formação do cidadão. A necessidade de ampliação do corpo eleitoral e a exigência da alfabetização para a participação política tornavam indispensável a instrução primária para a consolidação do regime republicano; era a escola da República e para a República, onde o método individual cedeu lugar ao ensino simultâneo. Estudos de Rosa Fátima de Souza apontam que entre 1894 e 1897, foram criados 26 grupos escolares no interior do estado de São Paulo, 12 deles na região norte, outros 11 na zona central, dois na Mogiana e um no litoral sul. Os 12 grupos criados na zona norte estavam localizados em cidades de grande densidade populacional. Em pouco tempo, expandiram-se para todo o estado de São Paulo. Totalizavam 297 estabelecimentos em 1929, dos quais 47 encontravam-se localizados na capital e 250 no interior. A criação de mais de um grupo por cidade foi facultada a poucos municípios até a década de 1920. Em 1908, apenas Amparo, Jundiaí, Campinas, Piracicaba e Santos possuíam dois grupos escolares cada uma”. Foi neste contexto histórico que a cidade de Sorocaba/SP também foi contemplada com a instalação do grupo escolar “Antonio Padilha”, aos 29.03.1896. A implantação dos grupos escolares foi uma experiência com iniciativa paulista e posteriormente acabou se irradiando para todo o país: Curitiba (1903), São Luís (1903), Minas Gerais (1906), Paraíba (1908), Natal (1908), Vitória (1908), Salvador (1908), Aracaju (1910), Cuiabá (1910) e Lages–SC (1911). Nos grupos escolares foi adotado o método intuitivo de ensino, cujos princípios, resumem-se em dois termos: observar e trabalhar. O advento dos grupos escolares marcou o processo de institucionalização escolar na Primeira República e a acessibilidade do ensino a todos, contribuiu para a formação da cidadania durante a República Velha. Artigo por: Pedro Luiz Dal Boni, Delegado de Polícia Civil, Mestre e Doutorando em Educação pela UNISO.

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